quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A Psicologia Transpessoal é uma nova área que está emergindo da Psicologia. Ela integra diversas disciplinas e é desenvolvida por profissionais de diversos campos que se dedicam na inclusão das experiências transpessoais e na identificação e no desenvolvimento das metanecessidades individuais e da espécie humana como um todo, além dos valores, da consciência, da transcendência e da espiritualidade. É considerada uma “quarta força” da Psicologia, pois inclui e distingue os conceitos da Teoria Positivista e Behaviorista (“primeira força”), da Psicanálise clássica (“segunda força”) e da Psicologia Humanista (“terceira força”).

O prefixo trans significa mais além, através de o pessoal. Busca transcender o ego e integrar o espiritual e o transcendental nas dimensões pessoais.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

‘Um dia, quando a pequena flor tinha acabado de abrir, ao longe, formava-se um intenso furacão. Ele foi se aproximando rapidamente e, por onde passava tudo destruía. No início, ela sentiu medo, chegou até a se encolher, mas a vida que pulsava dentro de si não a deixou estremecer.
Quando ele chegou mais perto, ela lhe perguntou:
-- Por que o senhor faz isso?
Ele nem tinha percebido a ínfima flor ali. Olhou de lá de cima e rosnou:
-- O quê?
-- Por que o senhor faz isso? – ela repetiu.
-- Isso o quê? – ele não entendeu.
-- Destrói tudo por onde passa... – ela explicou.
-- É da minha natureza. É meu propósito. É minha função. – ele disse com voz de trovão.
-- Não entendo. – ela murmurou baixinho.
-- O que você não entende? – disse ele já ficando irritado.
-- Eu não entendo por que tem que ser assim. – ela explicou.
-- Tudo o que nasce tem que morrer um dia... Para dar espaço ao novo, ao que quer nascer. – ele afirmou já apressado e seguindo adiante, desviando dela, já que não era o seu caminho oroginal.
E seguiu adiante.
E ela ficou ali, pensando e curtindo o Sol que acabava de brilhar novamente...’

Luh Keler.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Autobiografia em cinco capítulos

Capítulo 1

Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio.
Estou perdido... sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar uma saída.

Capítulo 2
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

Capítulo 3
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... é um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

Capítulo 4
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

Capítulo 5
Ando por outra rua.

O Livro Tibetano do Viver e do Morrer
Sogyal Rimpoche
São Paulo: Talento: Palas Athena, 1999 p.61

sexta-feira, 7 de março de 2014

Prelúdio

"E se, na verdade, não importa o que você faz e sim como você faz, seja lá o que for?

Como isso mudaria o que você decidiu fazer com a sua vida?

E se você pudesse ser mais presente e ter uma atitude mais acolhedora com cada pessoa que encontrasse, se, em vez de estar fazendo um trabalho que achasse importante, estivesse trabalhando como caixa de uma pequena loja ou recepcionista de um estacionamento?

Como isso mudaria o modo como você quer passar seu precioso tempo neste planeta?

E caso sua contribuição para o mundo e a conquista da sua felicidade não dependam da descoberta de um novo método de rezar ou de uma técnica de meditação mais adequada, nem de ler o livro certo ou comparecer ao seminário apropriado, e sim de você realmente ver e apreciar profundamente a si mesmo e ao mundo como eles são neste momento?

Como isso afetaria sua busca de crescimento espiritual?

E se não houver necessidade de mudar, de se transformar numa pessoa mais bondosa, mais presente, mais amorosa ou mais sábia?

Como isso afetaria todos os aspectos da sua vida em que você está sempre procurando ser melhor?

E se a tarefa for simplesmente desabrochar, se tornar quem você realmente é - uma pessoa meiga, bondosa, capaz de viver plenamente e de estar apaixonadamente presente?

Como isso afetaria a maneira como você se sente quando acorda de manhã?

E se quem você é essencialmente agora for exatamente o que você será sempre?

Como isso afetaria o modo como você se sente em relação ao futuro?

E se a essência de quem você é e sempre foi for suficiente?

Como isso afetaria a forma como você vê e se sente em relação ao passado?

E se a questão não for: por que é tão raro eu ser a pessoa que realmente quero ser, e, sim, por que é tão raro eu querer ser a pessoa que realmente sou?

Como isso mudaria o que você acha que precisa aprender?

E se o fato de nos tornarmos quem realmente somos não acontecer através do esforço e da tentativa, e sim por reconhecermos e aceitarmos as pessoas, os lugares e as experiências que nos oferecem o calor do estímulo de que precisamos para desabrochar?

Como isso determinaria as escolhas que você faz a respeito de como quer viver o momento presente?

E se você soubesse que o impulso para agir de uma maneira que irá criar a beleza no mundo surgirá bem no seu íntimo e servirá de orientação sempre que você simplesmente prestar atenção e esperar?

Com isso daria forma à sua quietude, seu movimento, sua disposição de seguir este impulso, de apenas se soltar e DANÇAR?"

Oriah Mountain Dreamer. A Dança. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Sonhando a unidade

"Conduz-me suavemente ao amanhecer
onde meu sonho se transforma em luz,
unindo-se à radiância do sol,
e espelhando o azul do vôo do meu espírito.

Conduz-me de volta ao mundo da vigília,
com imagens vivas impressas no meu coração,
segurando os mapas dos caminhos renascidos,
para que minha vida se transforme em obra de arte viva."

Jamie Sams. Dançando o sonho: os sete caminhos sagrados da transformação humana. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Dançando o sonho

"Onde estão as danças da Unidade
que eu conhecia antes de nascer?
Será que abri mão de minha totalidade
para poder caminhar pela Terra?

Será que escolhi o esquecimento
para tornar a vida mais real?

Será que habitei um corpo humano
para que pudesse aprender a sentir?

Estou aqui para dançar esse sonho
em minha sagrada forma humana.
Para celebrar minha singularidade
e não pedir a ninguém que me siga.

Dançando as lições da vida
aprenderei a me movimentar com graça
enquanto sonho que me recordo
do potencial da raça humana."

Jamie Sams. Dançando o sonho - os sete caminhos sagrados da transformação humana. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Soneto da Fidelidade

"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."

Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.