quinta-feira, 23 de julho de 2009

Profecia Celestina

A Primeira Visão é a visão do despertar. Contemplamos nossa vida e percebemos que existem mais coisas acontecendo do que imaginávamos. Além das nossas rotinas e desafios do dia-a-dia, podemos detectar a influência do elemento divino: “coincidências significativas” que parecem estar nos enviando mensagens e nos conduzindo a uma direção particular. No início apenas vislumbramos essas coincidências enquanto passamos rapidamente por elas, praticamente sem notá-las. Finalmente, porém, começamos a diminuir a velocidade e examinar mais de perto esses eventos. Receptivos e alertas, somos mais capazes de detectar o evento sincronístico seguinte. As coincidências parecem fluir e refluir, algumas vezes avançando rapidamente numa rápida sucessão, outras nos deixando quietos. Contudo, sabemos que descobrimos o processo da alma que guia nossa vida para a frente. As Visões remanescentes mostram como aumentar a freqüência dessa misteriosa sincronicidade e descobrir o destino final em direção ao qual estamos sendo levados.
A Segunda Visão é a consciência de que nossa percepção das misteriosas coincidências da vida é uma ocorrência histórica significativa. Depois do colapso da visão de mundo medieval, perdemos a segurança oriunda da maneira como a Igreja explicava o universo. Por conseguinte, há quinhentos anos atrás, decidimos coletivamente nos concentrarmos em dominar a natureza, em usar nossa ciência e tecnologia para nos acomodarmos no mundo. Pusemo-nos então a criar uma segurança secular destinada a substituir a certeza espiritual que perdêra-mos. Para nos sentirmos mais seguros, sistematicamente afastamos e negamos os aspectos misteriosos da vida no planeta. Fabricamos a ilusão de que vivíamos num universo totalmente explicável e previsível, no qual eventos acidentais não tinham nenhum significado. Para manter a ilusão, tendemos a negar qualquer indício do contrário, a restringir a pesquisa científica dos eventos paranormais, e a adotar uma atitude de absoluto ceticismo. Explorar as dimensões místicas tornou-se quase um tabu. Aos poucos, contudo, um despertar teve início. Nosso despertar não é nada menos do que nos libertarmos da preocupação secular da era moderna, e abrirmos nossa mente para uma visão nova e mais verdadeira do mundo.
A Terceira Visão descreve nossa visão do universo como energia dinâmica. Ao contemplarmos o mundo que nos cerca, não mais podemos pensar que tudo é composto de substância material. A partir das inúmeras descobertas da física moderna e da crescente síntese com a sabedoria do oriente, estamos começando a perceber o universo como um vasto campo de energia, um mundo quântico no qual todos os fenômenos estão interligados e respondem uns aos outros. A partir da sabedoria do pensamento oriental, sabemos que temos acesso a essa energia universal. Podemos projetá-la para fora com nossos pensamentos e intenções, influenciando nossa realidade e a realidade dos outros.
A Quarta Visão é a consciência de que os seres humanos com freqüência rompem sua ligação interior com essa energia mística. Em decorrência disto, temos tido a tendência de nos sentirmos fracos e inseguros, e com freqüência procuramos nos reerguer sugando energia de outros seres humanos. Fazemos isso tentando manipular ou dominar a atenção dos outros. Quando conseguimos conquistar à força a atenção de uma pessoa, somos impulsionados pela energia dela, o que nos torna fortes, mas enfraquece a outra pessoa. Com freqüência os outros se rebelam contra esta usurpação da sua força, gerando uma luta pelo poder. Todos os conflitos do mundo têm origem nessa luta pela energia humana.
A Quinta Visão é a experiência da ligação interior com a energia divina. Ao explorar e seguir nossa divindade interior, podemos estabelecer um contato pessoal com um tipo de experiência chamada mística. Em nossa busca deste estado alterado, distinguimos entre a descrição intelectual desta consciência e a consciência em si. Sob este aspecto, aplicamos certas medidas experimentais que indicam que estamos em conexão com essa energia universal. Por exemplo, sentimos o corpo leve? Sentimos uma leveza nos pés? Experimentamos uma intensificação da percepção como cores, aromas, sabores, sons e um senso de beleza mais vívidos? Experimentamos um senso de unidade, uma total segurança? E acima de tudo, vivenciamos o estado de consciência que chamamos de amor? Não em relação a alguém ou alguma coisa, mas como uma constante sensação que sustenta nossa vida. Não queremos mais apenas falar a respeito da consciência mística. Temos a coragem de por em prática essas medidas para realmente buscar esta união com o divino. É esta conexão com a energia total que resolve todos os conflitos. Não mais precisamos da energia do outro.
A Sexta Visão é a consciência de que perdemos nossa ligação interior com a energia divina. Com freqüência descobrimos que nessas ocasiões estamos recorrendo à nossa maneira pessoal (e inconsciente) de manipular os outros e subtrair a energia deles. Estas manipulações são geralmente passivas ou agressivas. A maioria das passivas podem ser chamadas de a abordagem da vítima, ou do Coitadinho de Mim: sempre concebemos os acontecimentos como negativos, buscamos a ajuda dos outros, descrevemos os eventos de maneira a fazer os outros se sentirem culpados (ou obrigando-os portanto a nos conceder atenção e energia).
A estratégia do Distante é menos passiva: damos respostas vagas às perguntas, jamais nos comprometemos com alguma coisa, obrigamos os outros a nos perseguirem para poderem nos compreender. Quando as outras pessoas correm atrás de nós para tentar nos compreender, obtemos a atenção delas e, por conseguinte, a energia delas.
O método crítico, ou Interrogador, é mais agressivo do que os dois anteriores: procuramos descobrir algo errado no que os outros fazem, estamos sempre controlando as pessoas. Se as pegamos cometendo o que consideramos um erro, nós as deixamos constrangidas, extremamente cautelosas, preocupadas com o que podemos pensar. Elas nos observam com o canto dos olhos, nos dando atenção e enviando energia. O mais agressivo de todos é o estilo Intimidador: nós nos mostramos descontrolados, explosivos, perigosos e hostis. Os outros nos observam atentamente, e desse modo recebemos a energia deles.
Como tempos a tendência de repetir essas manipulações com todas as pessoas que encontramos, e de estruturar os eventos da nossa vida em torno desses expedientes, eles podem ser considerados “dramas de controle”, padrões repetitivos que parecem atrair interminavelmente as mesmas situações. No entanto, tão logo tornamos conscientes nossos dramas de controle, começamos a nos surpreender cada vez que revertemos a eles, podendo assim permanecer mais ligados à nossa infância pode revelar como nossos dramas de controle evoluíram, mas tão logo as situações são perdoadas, conseguimos ver razões mais profundas para termos sido colocados na nossa família. A partir dos pontos fortes dos nossos pais e de questões particulares de crescimento que eles não concluíram, podemos deduzir nossa questão vital básica bem como nosso trabalho ou “missão” no mundo.
A Sétima Visão é a conscientização de que as coincidências têm nos conduzido o tempo todo À realização da nossa missão e à busca da nossa questão vital básica. Dia a dia, contudo, nosso crescimento se dá através do entendimento e do acompanhamento das questões menos importantes que se originam nas nossas metas mais amplas. Tão logo formulamos corretamente as perguntas, as respostas sempre aparecem através de misteriosas oportunidades. Cada sincronicidade, por mais que conduza ao crescimento, sempre nos deixa com uma outra questão fundamental, de modo que nossa vida avança através de um processo de pergunta, resposta, uma nova pergunta, à medida que evoluímos ao longo do nosso caminho espiritual. As respostas sincronísiticas são oriundas de muitas fontes: dos sonhos, devaneios, pensamentos intuitivos, e, com maior freqüência, de outras pessoas que se sentem inspiradas a nos trazer uma mensagem.
A Oitava Visão é a consciência de que a maior parte das sincronicidades têm lugar através das mensagem que nos são trazidas por outras pessoas e que uma nova ética espiritual com relação aos outros estimula essa sincronicidade. Se não competirmos energeticamente com as outras pessoas, e permanecermos ligados à energia mística interior, podemos elevar as vibrações dos outros com nossa energia, focalizando a beleza em cada rosto, enxergando o gênio superior de cada indivíduo com quem entramos em contato. A energia que transmitimos ao eu superior conduz a outra pessoa a uma consciência mais plena de quem ela é e do que está fazendo, aumentando a possibilidade de que uma mensagem sincronística possa ser comunicada. Elevar as vibrações dos outros é especialmente importante quando interagimos com um grupo, uma vez que toda a energia do grupo pode penetrar naqueles que se vejam intuitivamente estimulados a falar. Também é importante usar esta ética ao cuidarmos das crianças e interagirmos com elas. Para elevar as vibrações das crianças, precisamos nos dirigir à sabedoria do seu eu superior e tratá-las com integridade. Precisamos tomar cuidado nos relacionamento românticos para que a ligação eufórica do amor não substitua nossa ligação com a energia mística interior. Esta euforia amorosa sempre degenera numa luta pelo poder pois as duas pessoas ficam viciadas uma na outra para a obtenção de energia.
A Nona Visão é a consciência de como a evolução se dará se vivermos as outras oito Visões. À medida que a sincronicidade aumenta, somos elevados a níveis cada vez mais altos de vibração de energia. Além disso, à medida que formos conduzidos à nossa verdadeira missão, mudaremos de profissão, vocação ou criaremos nosso próprio negócio para podermos trabalhar no campo que mais nos inspirar. Para muitos, este trabalho será automatizar a produção de bens e serviços básicos: alimentos (além dos produzidos a nível individual), abrigo, vestuário, meios de transportes, acesso aos meios de comunicação e recreação. Esta automação será sancionada porque a maioria de nós não mais concentrará na indústria nossa vida de trabalho. Não haverá abuso no acesso a esses bens porque todos estaremos sincronisticamente seguindo nosso caminho de crescimento e consumiremos apenas o necessário. A prática do dízimo, de dar aos outros que nos proporcionam insight espiritual, suplementará a renda e nos libertará de cenários rígidos de trabalho. Finalmente, a necessidade de uma moeda corrente desaparecerá totalmente quando fontes gratuitas de energia e bens duráveis permitirem que a automação seja total. À medida que a evolução prosseguir, o crescimento sincronístico elevará nossas vibrações ao ponto em que penetraremos na dimensão da vida após a morte, fundindo essa dimensão com a nossa e encerrando o ciclo nascimento/morte.

A Profecia Celestina – James Redfield.

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