“Não se trata de saber por que é tão raro você ser a pessoa que realmente quer ser. A questão é por que é tão raro você querer ser a pessoa que realmente é? [...] Sabe por quê? Porque você não acredita que quem você é seja o suficiente. [...] Mas acontece que é. A verdadeira natureza dos seres humanos é repleta de compaixão e essa natureza essencial os torna capazes de estarem íntima e plenamente presentes. Quem você é é o bastante.
[...] É muito claro que essa intenção – de mudar ou de ser quem somos – molda profundamente a maneira como vivemos, o que achamos que precisamos fazer para aprender: se precisamos sempre nos obrigar a subir cada vez mais ou se simplesmente precisamos encontrar a coragem e a confiança necessárias para o desabrochar de quem realmente somos. Esta última alternativa requer escolhas que amparem e expandam nossa natureza realmente bondosa, enquanto a primeira parte do princípio de que nossa natureza fundamentalmente imperfeita deve ser aperfeiçoada por meio de esforços heróicos e infinitas tentativas. Embora essa permanente tentativa não esteja funcionando, é o que eu sei fazer. É difícil acreditar que seja suficiente eu ser como eu sou. Eu quero ser mais – mais bondosa, mais presente, mais consciente, mas amada e carinhosa, mais íntima de mim mesma e do mundo. Quero descobrir como ser diferente – melhor – do que sou. Embora eu não tenha conseguido viver sistematicamente meus mais profundos desejos, e esteja exausta por esforçar-me tanto para me tornar quem eu acho que devo ser para viver esses desejos, me recuso a desistir de tentar. Confio na capacidade de me esforçar. Não tenho experiência e nem confio na minha capacidade de simplesmente ser quem eu sou. [...]”
A Dança. Oriah Mountain Dreamer. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2003.
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