Como a imaginação perturba a marcha regulada da Razão? É porque ela ressuscita no homem as vozes, os sons, todos os acidentes da natureza, as imagens que se tornam tantas ocasiões de extravio. O homem de imaginação passeia em sua cabeça como um curioso em um palácio onde seus passos são, a cada instante, deviados por objetos interessantes, ele vai, volta, daí não sai. A imaginação é a imagem da infância à qual tudo atrai desordenadamente. [...]
A imaginação não cria nada; ela imita, compõe, combina, exagera, aumenta, diminui. Ela ocupa-se incessantemente das semelhanças. O julgamento observa, compara e não busca senão diferenças.
No Tear de Palas: Imaginação e Gênio no Século XvIII - Uma introdução.
Enid Abreu Dobránszky. Campinas, SP: Editora da Universidade de Campinas/ Papirus, 1992.
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